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Tércio Araujo — Corretor de Imóveis Tércio Araujo — Corretor de Imóveis

Financiamento

Selic em 14% e o novo modelo de crédito imobiliário: financiar agora ou esperar 2027?

TA Tércio Araujo 3 min de leitura
Edifícios residenciais em Uberlândia

O Banco Central testa em 2026 um sistema que troca a poupança pelas LCIs como fonte do financiamento. A promessa é juro menor em 2027 — mas esperar tem custo.

Duas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo no crédito imobiliário brasileiro, e as duas afetam quem pensa em financiar um imóvel agora.

1. A Selic começou a cair, mas devagar

Depois de um longo período no topo, o Copom passou a reduzir a taxa básica em etapas ao longo de 2026, chegando a 14,25% ao ano em junho, com expectativa de novos cortes até o fim do ano. Só que o financiamento habitacional não acompanha a Selic de imediato: a maior parte do dinheiro vem da poupança (o chamado SBPE), não do CDI. Por isso as taxas dos bancos ficaram paradas entre 10,5% e 12% ao ano nas linhas comuns, mesmo com a Selic oscilando.

2. O novo modelo de funding

O Banco Central lançou em 2025 um modelo que reduz a dependência da poupança e amplia o uso de instrumentos de mercado, principalmente as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário). A implantação é gradual: 2026 é ano de teste, e a vigência plena está prevista para janeiro de 2027. A aposta é que, com mais dinheiro disponível, os bancos consigam emprestar mais e mais barato.

A Caixa, que responde por boa parte do crédito habitacional do país, projeta crescer cerca de 10% em 2026 e chegar perto de R$ 250 bilhões em financiamentos.

Mas há uma ressalva: os bancos negociam com o Banco Central ajustes no modelo, porque o limite de 12% ao ano para as operações do Sistema Financeiro da Habitação ficou difícil de sustentar com a Selic em 14%. Ou seja, a queda dos juros em 2027 é uma expectativa, não uma garantia.

Então: financio agora ou espero?

A pergunta que mais ouço nas visitas. A resposta honesta é: depende de quanto tempo você pretende ficar no imóvel e do que acontece com o preço enquanto você espera.

  • Esperar tem custo. Cada ano pagando aluguel é um ano de parcela que não amortizou nada. E em mercados aquecidos como Uberlândia e Rio Preto, o imóvel pode valorizar mais do que a economia de juros que você espera.
  • Financiamento se renegocia. A portabilidade de crédito imobiliário existe e funciona: se em 2027 a taxa cair de verdade, você leva o contrato para outro banco ou pede revisão no seu. Quem comprou não fica preso à taxa de hoje.
  • Entrada grande vale mais que taxa pequena. Reduzir o valor financiado — usando FGTS, vendendo um carro, negociando o preço — costuma pesar mais na parcela do que um ponto percentual de juros.

E para quem está dentro do Minha Casa, Minha Vida

Nada disso muda. As taxas do programa (a partir de 4,25% ao ano) são subsidiadas e não dependem do novo modelo. Se a sua renda cabe nas faixas, o momento de comprar é quando aparecer o imóvel certo.

Se quiser, comparo com você as condições dos bancos que atuam aqui em Iturama antes de qualquer decisão. Fale comigo.


Foto de capa: Uberlândia — Will7, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

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